quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dexmedetomidina

Estrutura química da 
Dexmedetomidina
Dexmedetomidina, cloridrato
(Precedex é marca registrada da Hospira):
  • potente agonista alfa2 adrenérgico com afinidade 8 vezes maior que a clonidina para esse receptor;
  • ação periférica: ativação do receptor alfa2 pré-sináptico, diminui a liberação de noradrenalina;
  • ação espinhal: produzem analgesia por interferir com o processo de transmissão;
  • ação supra espinhal: sedação e hipnose com ação nos mecanismos de ativação cortical através no locus ceruleus;
  • inibição central do sistema simpático;
  • sedativo agonista alfa2 adrenérgico seletivo com propriedades analgésicas;
Clique na figura - artigo sobre o uso da 
dexmedetomidina em pacientes críticos
  • diminui a resposta à intubação;
  • promove estabilidade hemodinâmica;
  • diminui o consumo de anestésicos - hipnóticos 30%; opióides etre 30 e 40% e halogenados 50%.
  • sedação resultante se caracteriza por um despertar tranquilo;
  • potencializa a analgesia;
  • diminui a agitação e o tremor no PO;
  • diminui a incidência de náuseas ou vômitos no PO;
  • não causa depressão respiratória;
  • efeitos colaterais: bradicardia ocorre em 20% dos pacientes (efeito simpaticolítico + vagomimético), bradicardia + hipertensão (resposta reflexa dos barorreceptores em resposta ao aumento da pressão arterial); hipertensão (ativação dos receptores alfa2beta pós-sinápticos conseqüente à administração de doses mais altas);  hipotensão (na presença de hipovolemia); a hipotensão também pode ocorrer em pacientes dependentes da ativação do sistema nervoso autônomo ou naqueles que perderam a sua sensibilização (idade avançada, diabetes, hipertensão crônica ou doença cardíaca grave); a hipotensão em voluntário foi de 13%; 
  • os efeitos colaterais podem ser revertidos com o uso de fármacos vasoativos e ou anticolinérgicos;
  • metabolização: hepática e excreção após a metilação e glicoronidação é realizada principlamente por via renal; nos pacientes hepatopatas a meia-vida de eliminação aumente para 7,5 h e portanto a dose deve ser diminuída entre e 40 e 70%; na insuficiência renal grave a sedação é mais prolongada pela diminuição da ligação proteica da dexmedetomidina;
Clique na figura para ser remetido ao artigo original.
Doses:
  • apresentação: frasco ampola de 2 ml com 100 μg.ml-1:
  • diluir 2 ml em 48 ml de Solução Fisiológica - bomba de seringa de 50 ml:
  • dose indução: 1 μg.kg-1 em 10 – 20 min;
  • para se obter a dose de 0,4 μg.kg-1 na diluição apresentada acima a velocidade de infusão em ml.h-1 deve ser igual a 10% do peso corporal do paciente;
  • a dose de manutenção pode variar de 0,2 a 0,7 μg.kg-1.h-1 o usual é 0,4 μg.kg-1.h-1; deve-se titular a dose de acordo com o nível de sedação e analgesia desejada e as respostas hemodinâmicas;
  • no pós operatório a dose para analgesia e sedação é de 0,2 mg.kg-1.h-1;
  • não há necessidade de diminuir a infusão antes da extubação;
  • raqui anestesia: sedação EV: de 0,1 a 0,2 μg.kg-1;
  • atenção para a dose de opióides na analgesia multimodal.
Minhas opiniões:
  • atenção: como é um agonista alfa2 adrenérgico apresenta efeitos simpaticolíticos o que provoca a bradicardia e hipotensão (dose dependente, velocidade de injeção e volemia); na hipovolemia ou volume sistólico fixo usar com cautela
  • no pós-operatório fazer uma analgesia multimodal usando o opióide com parcimônia e mantendo a dexmedetomidina no seu lugar;
  •  é particularmente útil em crianças acima de 18 meses pois além da analgesia promove uma sedação leve - a criança pode ser despertada para se alimentar e em seguida volta a dormir;
  •  pela velocidade menor de infusão 50 ml pode durar, em alguns casos pediátricos até 48 h;
  •  48 h é o limite para seu uso no PO;
  •  em pacientes mais pesados ou adultos podemos concentrar a diluição adicionando 2 ou 3 frascos ao volume qsp 50 ml e recalcular a velocidade de infusão - 2 frascos=metade da velocidade de infusão; 4 frascos= um quarto da velocidade de infusão;
  •  se utilizarmos uma bomba de infusão de rolete com a dexmedetomidina diluída em volumes maiores a velocidade de infusão deve ser recalculada;
  •  exemplo - paciente de 50 kg de peso a dose no PO será de 2,5 ml.h-1 se a diluição for em 50 ml; se a diluição for feita em 250 ml (5 x maior) a velocidade de infusão também deverá ser 5 x maior = 12,5 ml;
  •  tenho usado em adultos como analgésico no PO de cirurgias sobre a coluna; cirurgias sobre o MS quando o bloqueio não foi efetivo; cirurgia geral; adenoamigdalectomias em adultos; cirurgia cardíaca; etc.
  •  o único inconveniente é o seu preço (ao redor de R$ 120,00 o frasco).
Bibliografias:
  •  uso em obesos mórbidos;
  •  outras bibliografias interessantes.
  • Dexmedetomidine vs Midazolam for Sedation of Critically Ill Patients - A Randomized Trial - 
    Riker RR, Shehabi Y, Bokesch PM, et al. for the SEDCOM (Safety and Efficacy of Dexmedetomidine Compared with Midazolam) Study Group.
    JAMA. 2009; 301(5): (doi:10.1001/jama.2009.56).
Declaração pertinente: não há nenhum conflito de interesses nessa publicação, pois o autor não recebe subsídios da Hospira e não tem nenhuma relação comercial com essa empresa.

sábado, 4 de dezembro de 2010

A analgesia pós operatória - deve ser efetiva e nós somos os responsáveis!



Colegas, como vocês sabem fiz minha cirurgia e passei uma tarde e uma noite na Sala de Recuperação do HSVP. Passei muito bem pois fique sob o cuidados de três pessoas, uma à tarde (Luiz), uma das 19:00 h às 01:00 h e outra da 01:00 h às 7:00 h quando voltei a ficar sob os cuidados da equipe da manhã da qual o Luiz faz parte. Assim, nesse quesito fiquei ótimo - sem náuseas, sem tonturas, sem dor, sonolento o suficiente, sentado (30º), com um biombo me separando dos demais pacientes e com gelo colocado ao redor da face (que era efetivamente trocado a cada hora).
Mas o meu assunto nessa postagem não é esse é a analgesia pós operatória.
Durante a tarde entraram três paciente urrando de dor na SR. Perguntei para o Luiz o que estava ocorrendo e ele foi dar uma olhada. Dois pacientes não eram dos nossos cirurgiões e um era.
Tão logo esses pacientes chegaram receberam a medicação prescrita para a dor, porém continuaram se queixando. Os três tinham apenas dipirona, paracetamol (VO) e um AINES prescrito.
À noite outros dois pacientes entraram no mesmo estado, um era uma criança, que como é óbvio perturbou o sono e o repouso da grande maioria dos pacientes (alguns em coma e no ventilador talvez nem tenham percebido).
Constatado o fato, e como não tinha nada para fazer naquele momento passei a fazer algumas conjecturações, tais como:

  • a condução da analgesia nas primeiras 24 horas é de nossa responsabilidade - e não da enfermagem da SR;
  • como a grande maioria de nós não visitamos nossos pacientes no pós operatório ele se queixam para a enfermagem e para os cirurgiões;
  • os cirurgiões, com toda razão, aporrinham o saco do primeiro que encontram, ou daquele com quem tem mais amizade;
  • o diferencial de um serviço de anestesiologia é a medicina peri operatória (avaliação pré-anestésica, anestesia bem feita e cuidados pós-operatórios imediatos) que seus membros praticam.
Dessa forma como já temos a visita e a consulta pré anestésica equacionada nos resta aprimorar a anestesia (sobre a qual falarei em outra postagem) e os cuidados pós operatórios (em especial os que se referem à náuseas, vômitos, desconforto e dor pós operatória).

Acho que todos nós devemos fazer um mea culpa e reavaliar as nossas condutas.
A analgesia multimodal é seguramente a melhor nos pós-operatórios, vários trabalhos corroboram isso. Alguns desses trabalhos estão resumidos nos vários livros sobre dor aguda e analgesia pós operatória que temos no consultório (estão lá à disposição de quem se interessar).
Resumindo na analgesia multimodal  a técnica consiste na associação de diversos medicamentos analgésicos ou técnicas de analgesia e co-analgesia. Os medicamentos usados são anestésicos menores (paracetamol, dipirona), um AINES, um opióide, tranquilizantes ou ansiolíticos e antieméticos.
Dentre os AINES um tem ganho destaque no pós-operatório imediato (mas que só pode ser utilizado por no máximo dois dias) que é o cetoralaco de trometamina (Toradol, Toragesic e na formulação genérica). Esse medicamento na dose de 30 mg 6/6 h tem efeito simular à 10 mg de morfina EV. Ele é mais analgésico do que os outros AINES mas tem o inconveniente de poder ser utilizado por dois dias (ANVISA). Mas ai me pergunto na dor pós-operatória qual a moral de usar AINES por mais de dois dias. O cetoralaco tem todas as contra-indicações dos demais analgésicos porém agride menos o rim e a mucosa gástrica.
O morfinomimético - especificamente a morfina - é um elemento importante nessa técnica de analgesia, porém muitas vezes ele é mal utilizado. Se não vejamos ao prescrevermos 1, 2 ou 3 mg de morfina EV de 4/4 h ou de 6/6 h deixa uma janela sem analgesia pois a sua meia-vida EV é de 1 h. Eu prescrevo morfina SC de 4/4 ou de 6/6 h, sei que muitos colegas acham que a injeção subcutânea tem uma absorção errática e é desconfortável para o paciente. Uma alternativa adequada é a infusão contínua da morfina ou do fentanil, nessa técnica temos a certeza de que o paciente mantém seus níveis séricos adequados. Lembrando sempre que os morfinomiméticos causam constipação.
Recentemente vem ganhando força na analgesia multimodal a associação desses medicamentos com bloqueios ou anestesia condutivas (infiltrativa, bloqueios periférios (tanto de MsIs quanto de MsSs), bloqueio do plexo braquial, raquianestesia, bloqueio peridural simples ou contínuo).

O bloqueio peridural contínuo vem sofrendo algumas restrições desde que se passou a utilizar as heparinas de baixo peso molecular. Mas trabalhos demonstram que se o cateter for passado - sem intercorrências - antes do uso dessas heparinas os riscos são mínimos. A sua retirada deve ser feita entre uma dose e outra ou seja, seis horas após a administração nos esquemas de 12/12 h e 12 horas após a administração se o esquema é de 24/24 h. Atualmente vejo indicação para o cateter epidural nas grandes cirurgia abdominais e no tratamento das fraturas da pelve e acetábulo. A solução a ser infundida depende do gosto de cada anestesista. Acredito que atualmento só o Dr. Rafael Baldissera tem feito cirurgias desse porte e o bom é que ele sabe manusear o cateter. Nas fraturas de quadril (acetábulo, anel pélvico) do Dr. Luiz Henrique temos que assumir essa função e fazer o seu manuseio no pós-operatório, principalmente a sua retirada.
Nas prostatectomias radicais, na minha opinião, basta que se faça um bloqueio subdural ou peridural com morfina ou outro opióide que permitam uma analgesia por umas doze horas.
Nas cirurgias sobre o ombro ou úmero a associação da anestesia multimodal com bloqueio do plexo braquial ou cervical é imperativa. Eu tenho uma técnica que aprendi num work shop em que o plexo braquial é abordado via posterior. É muito fácil de fazer, os aspectos negativos são, o paciente deve estar sentado ou ser colocado em decúbito lateral sobre o lado são. Breve postarei a técnica que eu uso. Em alguns casos em que não consigo fazer o bloqueio deixo o paciente com infusão contínua de dexmedetomidina associada a analgesia multimodal (com parcimônia no uso dos opióides).
Nas cirurgias sobre o membro superior é claro que a associação perfeita é o bloqueio de plexo braquial com a analgesia multimodal. Muitas vezes pela premência de tempo ou dificuldades técnicas não conseguimos fazer o bloqueio. Nesse caso a solução é: ao final da cirurgia solicitar a infiltração do local da cirurgia ou um bloqueio mais periférico seja feito pelo cirurgião.
Dr. Antonio Severo bloqueando paciente
Nos pacientes em que opto por anestesia geral solicito aos cirurgião que infiltre o local com ropivacaína ou bupivacaína, associada ou não à clonidina. Todos os cirurgiões concordam com essa técnica, alguns até, além da infiltração local, fazem um bloqueio periférico.
Nas cirurgias sobre o quadril temos o grande dilema de usar ou não a analgesia peridural contínua. Eu não tenho usado. Tenho feito via de regra uma raquianestesia com morfina e mantenho a anestesia multimodal no pós-operatório. Nas próximas cirurgias vou visitar os paciente para ver se funciona.
Nas cirurgias sobre o joelho tenho duas técnicas de analgesia (associada à multimodal).
Nas videoartroscopias faço uma anestesia geral endovenosa sob máscara laríngea e solicito que ao fina o joelho seja infiltrado com ropivacaína 10 mg/ml + morfina 10 mg. Utilizo a ropivacaína pois na grande maioria das vezes ao o cirurgião ao usar o shaver cria uma área cruenta podendo causar a absorção do anestésico local e nesse caso a ropivacaína é a que tem menor toxicidade.
Para as próteses de joelho ou as cirurgias que envolvem o reparo do ligamento colateral anterior (ou outro qualquer) a minha opção é pelo bloqueio peridural ou raquianestesia (com sedação) e depois o bloqueio do nervo femoral. Esse bloqueio pode ser feito antes do paciente sair da sala ou horas após já na recuperação. Para esse bloqueio utilizo ropivacaína 10 mg/ml 20 ml associada à clonidina 150 mcg. E é claro a analgesia multimodal. Tem dado certo.
Para as cirurgias sobre o pé ou antepé algumas vezes faço bloqueio central em outras anestesia geral e o Dr. Everton infiltra o local (além de fazer bloqueios distais) com ropivacaína isso tem funcionado bem. No pós operatório imediato a analgesia multimodal é a minha escolha.

Nisso tudo o que importa é o bem estar do paciente e para isso temos que deixar de lado as técnicas ultrapassadas, nos interessarmos mais pelos nossos pacientes e 
deixar o comodismo de lado.

Abraços,
Lorenzini

P.S.: Próxima postagem "Dexmedetomidina - uma boa opção para o trans e pós operatório"

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Nomograma para a diluição de medicamentos

Nomograma para a diluição de medicamentos



Introdução:
O nomograma é utilizado para facilitar o cálculo das doses das medicações usadas em infusão contínua.
Ele se baseia no peso do paciente assim, quanto mais pesado o paciente menor o volume de diluição (VD) pois a medicação deverá ficar mais concentrada na seringa. Da mesma forma quanto mais magro o paciente maior o volume de diluição com a medicação ficando mais diluída.
O raciocínio fica fácil de ser feito quando utilizamos medicamentos com 200 mg como é o caso da dopamina e da dobutamina. Nesses casos (com 200 mg no volume de diluição na seringa) a infusão de 1 ml por hora dará diretamente a dose de 1 mg.kg-1.min-1 da medicação.

Cálculo do volume de diluição:
Pressuposto: 1 ml.h-1 deve administrar 1 mg.kg-1.min-1
Considerando o peso do paciente (P) em kg teremos que:

      (1 x P x 60)/1.000 = mg/h (desde que 1.000 mcg = 1 mg) levando a:

      1 ml.h-1 = (1 x P) mg.min-1 = (1 x P x 60) mg.h-1 ou seja:

      que = (0,06 x P) mg.h-1. 

       Assim 1 ml da solução deverá conter (0,06 x P) mg.

Desde que a quantidade total da droga é de 200 mg o volume de diluição será de:
   200/(0,006 x P) ml = (200/0,06) x (1/P ml) = 3333 x (1/P ml) = 3333/P ml

Assim, para calcular o volume de diluição (VD) ao qual os 200 mg do medicamento deverão ser adicionados, para a administração de 1 ml/h nos dê uma dose de 1 mcg/kg/min deve-se dividir 3333 pelo peso do paciente em kg e dilua a medicação nesse volume.

Para checar isso multiplique o peso do paciente pelo volume de adição o resultado deverá ser de aproximadamente 3333.

E.G.: paciente com 70 kg, o volume de diluição será de 3333 / 70 = 47,6 (48) ml.

Isso se aplica à dopamina e à dobutamina pois ambas estão dosadas em 200 mg. Outros medicamentos são usados em quantidade menores. As suas dosagens por ml são dadas abaixo.

Da mesma forma se desejarmos poderemos usar a dexmedetomidina, cujo frasco possui 200 mg, com o volume de diluição.

Adrenalina, noradrenalina e isoprenalina:
- 2 mg (= 1/100 de 200 mg) assim, 1 ml.h-1 nos dá 0,01 mg.kg-1.min-1.

Trinitrato de glicerina e nitroprussiato de sódio:
- 50 mg (= 1/4 de 200 mg) assim 1 ml.h-1 nos dá 0,25 mg.kg-1.min-1.



O volume de diluição pode ser usado nas bombas de infusão B.Braun de seringa ou nas de rolete.
Para o uso  nas bombas de rolete o raciocínio deve levar em conta o maior volume de solução. Como elas funcionam com frascos de soro maior do que 50 ml devemos adequar a dose do medicamento ao volume de diluição maior.
Assim, se quisermos utilizar o nomograma para volumes de diluição 2 ou 3 x vezes maior daquela calculada (3333 / peso) devemos também aumentar a dose do medicamento em 2 a 3 vezes dependendo do caso.

Para as bombas mais modernas, que possuem uma biblioteca de fármacos todas essas contas são desnecessárias.

Bibliografia:
Burton GW – Humprey Davy Department of Anaesthesia, Bristol Royal Infirmary, Bristol UK.

domingo, 20 de junho de 2010

Perguntas e Respostas sobre Anestesia



No site da Sociedade Paranaense de Anestesiologia o Dr. João Manoel encontrou o texto abaixo. Acredito que muitas das respostas às perguntas que nos fazem no consultório estão relacionadas nesse texto. 


Perguntas sobre Anestesia

1. O que é Anestesiologia?
É a especialidade médica que estuda e proporciona ausência de dor e outras sensações ao paciente que necessita realizar procedimentos médicos como cirurgias ou exames diagnósticos. Além disso, é o anestesiologista que identifica e trata alterações das funções vitais do paciente durante a cirurgia.
2. Quem aplica a anestesia?
A anestesia, por determinação legal, é um ato privativo do anestesiologista inclusive em cirurgias odontológicas. O anestesiologista é um médico, formado por faculdade de medicina credenciada pelo Ministério da Educação, com curso de especialização e treinamento em anestesiologia, sólida formação acadêmica e profundos conhecimentos em física, química, biologia e matemática, além do título de Especialização em Anestesiologia reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina.
3. O que faz o anestesiologista?
Muita gente ainda acredita que a função do médico anestesiologista é apenas de ministrar drogas para que o ato cirúrgico seja suportável e sem dor. Não sabem eles que durante a cirurgia, além da função natural de retirar a sensação de dor para que o ato seja suportável ao ser humano, o médico anestesiologista tem a missão de monitorar o estado geral do paciente, cuidar de seu nível de consciência, pressão arterial, pulso, respiração, bem como estar atento a qualquer alteração. Em resumo ele é o responsável por manter as funções vitais do paciente e está preparado para identificar e tratar qualquer alteração.
4. Quais os tipos de anestesias?
Ela pode ser geral, isto é, para o corpo todo; ou parcial, também chamada de regional, quando apenas uma região do corpo é anestesiada. Sob o efeito de uma anestesia geral, você dorme. Com anestesia regional você pode ficar dormindo ou acordado, conforme a conveniência.
A anestesia geral pode ser aplicada na veia ou por inalação, ela permite que o paciente fique totalmente inconsciente durante a cirurgia.
Chamamos anestesia regional várias técnicas diferentes de aplicação de um anestésico local com o objetivo de abolir a dor em parte do corpo.
Como por exemplo, a anestesia de cesariana que pode ser a peridural ou raquidiana.
Já para cirurgias de membro superior optamos pelo bloqueio de plexo braquial, para cirurgias oftalmológicas usa-se a peribulbar e etc.

5. Quanto tempo dura a anestesia?
Nas cirurgias com anestesia geral, o avanço tecnológico e farmacêutico, permite hoje ao médico anestesista proporcionar ao paciente uma anestesia que dure o mesmo tempo da cirurgia, sendo então possível que o paciente acorde no final da operação.
Nas técnicas regionais, na maior parte das vezes é desejável um efeito residual, e assim a parte do corpo submetida à cirurgia permanece anestesiado por um período variável do pós-operatório, proporcionando ao paciente ausência de dor por um período mais prolongado.

6. Quem escolhe o anestesiologista?
Você tem o direito de escolher o seu anestesiologista. Normalmente, porém, os hospitais possuem serviços de anestesia com os quais o seu cirurgião já está acostumado a trabalhar. Afinal, operação é trabalho de equipe.

7. Como conhecer o seu médico anestesista?
Seu médico já deve ter conversado sobre anestesia com você. Porém, somente na consulta com o médico anestesiologista é que todos os esclarecimentos serão feitos. Não aceite qualquer informação de pessoas não especializadas. Existem muitas fantasias e desinformações sobre a anestesia.
A consulta pré-anestésica é um direito do paciente e um dever do médico anestesista. Exija sua consulta!
 
Neste momento o médico deverá saber se você é asmático, diabético, se tem pressão alta, se fuma, se toma bebidas alcoólicas, se possui alguma doença grave, se toma remédios e quais ou se possui problemas alérgicos.
Tenha no anestesiologia um amigo, e saiba que quanto mais e melhores informações você prestar a ele, melhores serão as condições para que ele possa te ajudar e para que a anestesia transcorra sem problemas e seja um sucesso.
Hoje sabemos que até mesmo certas ervas e medicamentos homeopáticos interferem e reagem com algumas drogas, daí por que tudo deve ser relatado ao seu anestesiologista inclusive o uso de remédios homeopáticos e caseiros. A consulta poderá ser realizada no consultório do anestesiologista ou no próprio hospital, antes da cirurgia.

8. Na consulta pré anestésica é feito algum “teste” para anestesia?
Não! Não existe “teste” de anestesia, a exemplo dos testes utilizados para identificar alergias. A avaliação pré-anestésica é de fato um exame médico dirigido especificamente para as necessidades do anestesiologista. Nesta consulta o anestesista o examinará e prestará informações e orientações sobre a anestesia.

9. Por que é necessário o jejum?
Os alimentos que engolimos, sejam na forma líquida ou sólida, não entram na traquéia porque dispomos de mecanismos de defesa que fecham sua entrada, fazendo com que estes dirijam-se para o estômago. Durante a anestesia, estes mecanismos de defesa são bloqueados e, na eventualidade de ocorrer vômito, o alimento poderá entrar nas vias respiratórias e provocar complicações pulmonares muito graves.
Portanto não coma nem beba qualquer coisa, siga as orientações de seu médico anestesista.

10. Se a cirurgia for urgência e você acabou de se alimentar?
Nestes casos existem métodos que podem reduzir bastante o risco de aspiração de alimentos para o pulmão. Todavia quando não há urgência não vale a pena correr qualquer risco adicional. O cirurgião é ciente deste risco e apenas indicará a cirurgia nestas condições quando julgar ser ela absolutamente necessária.

11. O que acontece antes da operação?
Antes da cirurgia acontecem os preparativos da enfermagem, a pedido dos médicos, podem incluir raspagem dos pelos no lugar da operação, algum remédio e muita atenção. Na noite anterior e cerca de uma hora antes da operação, dependendo do dia e horário de sua internação, é provável que você receba algum comprimido ou uma injeção de sedativo, para tornar mais confortável o transporte e a chegada à sala de operações.

12. Como você pode colaborar para uma anestesia segura?
Não coma nem beba qualquer coisa, é para ficar em jejum mesmo! Conte ao anestesiologista, os nomes de todos os remédios que você toma ou tomou regularmente. Em especial enumere aqueles a que você tem ALERGIA. Serão removidas de sua boca quaisquer peças dentárias móveis como dentaduras, pivôs, pontes, especialmente as de menor tamanho. Não use cosméticos ou produtos de beleza no dia da operação: deixe-os em casa. Não leve ao hospital, e muito menos para a sala de operações, jóias pessoais como anéis, pulseiras, relógios de pulso, brincos, como também retire alfinetes, grampos de cabelo, perucas, cílios postiços, lentes de contato, esmalte de unha e outros objetos. Não mastigue goma de mascar antes da cirurgia, porque isto provoca aumento de ar e de sucos no estômago, o que pode causar vômitos depois da operação. O cigarro, é bom largar pelo menos 15 dias antes da operação. Mas se é inveterado, reduza bastante: no máximo 1 a cada 4 ou 5 horas. Siga, de forma obediente, as orientações dos seus médicos.

13. Costumamos ouvir que a anestesia para crianças é só um “cheirinho”. Esta é uma anestesia mais simples e com menos riscos?
O ‘Cheirinho”nada mais é que o anestésico em forma de gás.fornecido junto com a respiração. Estas drogas são as mesmas empregadas na maioria das anestesias dos adultos. A principal diferença é que nestes, a inalação do gás anestésico é precedida pela injeção de um medicamento com a finalidade de fazê-los dormir. Como a criança, em regra, detesta injeções de qualquer espécie e muitas vezes já está familiarizada com inalações, a via inalatória é bem aceita. Esta é portanto uma anestesia geral como outra qualquer, requerendo os mesmos cuidados.

14. O que é a sala de recuperação?
Terminada a cirurgia ainda não terminou a anestesia, e o trabalho do médico anestesiologista se estende até o momento em que tenham findos todos os efeitos relacionados com a anestesia administrada.
Por isso, terminada a anestesia o paciente deve ser encaminhado à sala de Recuperação Pós Anestésica (RPA), onde o paciente será observado de maneira contínua por pessoal qualificado para evitar complicações e surpresas.
A sala de Recuperação não é sinônimo de complicação, e é mesmo um estágio que deve ser observado obrigatoriamente.
 
O paciente deve permanecer na Recuperação Pós-anestésica pelo tempo necessário para que se observe as reações do organismo à anestesia, e até que o paciente atinja um quadro de total estabilidade de sua circulação, respiração, nível de consciência e regressão da anestesia.
Pacientes considerados graves ou submetidos a cirurgia complexas, podem ser encaminhados para as Unidades ou Centros de Tratamento Intensivo (UTI e CTI), onde uma equipe médica fará acompanhamento, e onde o paciente fica constantemente monitorado.

15. O que você vai sentir depois da anestesia?
Depende muito da operação, do tipo de anestesia e de suas condições físicas. Graças às modernas técnicas de anestesia, apenas um número muito pequeno de pacientes chega a sentir-se mal. O que deve ser ressaltado é que você, provavelmente, não sentirá nada, nem se lembrará de nada. O anestesiologista zelará para que lhe seja assegurado o máximo conforto.

16. Qual o risco de uma anestesia?
Novas drogas e equipamentos modernos, muitos anos de estudos e pesquisas reduziram imensamente os acidentes ou complicações de uma anestesia. Com medicamentos, instrumental, novos monitores e técnicas modernas, o anestesiologista reduz ao máximo os riscos de acidentes anestésicos, mas é claro que eles nunca chegam a zero, uma vez que há fatores de risco algumas vezes imponderáveis ligados não só à anestesia, como à própria operação, às condições hospitalares, à condição clínica do paciente, etc.
Pacientes com doenças não tratadas ou descontroladas, podem apresentar um maior risco na anestesia, mesmo assim o médico anestesista tem como prevenir complicações, desde que tenha conversado e examinado o paciente.
O anestesiologista, além do conhecimento e da especialização médica, emprega toda sua perícia e experiência clínica para o sucesso completo da operação a que você está se submetendo. Para a maior segurança dos pacientes, os hospitais modernos contam com equipes e equipamentos próprios para emergências e cuidados críticos, o que reduz ainda mais os riscos de acidentes graves.

17. O que é o consentimento esclarecido (informado)?
É de direito do paciente o conhecimento sobre seu diagnóstico, prognóstico, riscos e objetivos do tratamento.
Portanto a forma mais adequada do paciente de ter conhecimento formal de que ele ou a família está ciente do problema de saúde ou de tratamento e de suas conseqüências é o termo de consentimento esclarecido.

18. Quanto custa uma anestesia?
Depende bastante da operação, do tempo de trabalho e da complexidade. Mas, se você é paciente particular, tudo será discutido, com antecedência, sem surpresas. Se você possui algum convênio, serão seguidas as regras e exceções da sua instituição.
Informe-se se seu convênio lhe dá direito a consulta pré-anestésica e a anestesia para a cirurgia a que ira submeter-se. Apenas seu médico anestesista e seu convênio podem lhe dar estas informações.
Às vezes poderão aparecer algumas diferenças que também serão discutidas com antecedência.

19. Acabe com o medo de anestesia!
Some esforços com seu médico para que sua anestesia transcorra sem nenhum problema. Tire suas dúvidas, converse com ele, discuta seus medos, não esconda nada dele, crie confiança. A confiança no médico e na anestesia só vai fazer bem à sua cirurgia.
“ANESTESIOLOGISTA”:
O SEU ANJO DA GUARDA ENQUANTO VOCÊ DORME”
 

Perguntas e Respostas sobre Anestesia



No site da Sociedade Paranaense de Anestesiologia o Dr. João Manoel encontrou o texto abaixo. Acredito que muitas das respostas às perguntas que nos fazem no consultório estão relacionadas nesse texto. 


Perguntas sobre Anestesia

1. O que é Anestesiologia?
É a especialidade médica que estuda e proporciona ausência de dor e outras sensações ao paciente que necessita realizar procedimentos médicos como cirurgias ou exames diagnósticos. Além disso, é o anestesiologista que identifica e trata alterações das funções vitais do paciente durante a cirurgia.
2. Quem aplica a anestesia?
A anestesia, por determinação legal, é um ato privativo do anestesiologista inclusive em cirurgias odontológicas. O anestesiologista é um médico, formado por faculdade de medicina credenciada pelo Ministério da Educação, com curso de especialização e treinamento em anestesiologia, sólida formação acadêmica e profundos conhecimentos em física, química, biologia e matemática, além do título de Especialização em Anestesiologia reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina.
3. O que faz o anestesiologista?
Muita gente ainda acredita que a função do médico anestesiologista é apenas de ministrar drogas para que o ato cirúrgico seja suportável e sem dor. Não sabem eles que durante a cirurgia, além da função natural de retirar a sensação de dor para que o ato seja suportável ao ser humano, o médico anestesiologista tem a missão de monitorar o estado geral do paciente, cuidar de seu nível de consciência, pressão arterial, pulso, respiração, bem como estar atento a qualquer alteração. Em resumo ele é o responsável por manter as funções vitais do paciente e está preparado para identificar e tratar qualquer alteração.
4. Quais os tipos de anestesias?
Ela pode ser geral, isto é, para o corpo todo; ou parcial, também chamada de regional, quando apenas uma região do corpo é anestesiada. Sob o efeito de uma anestesia geral, você dorme. Com anestesia regional você pode ficar dormindo ou acordado, conforme a conveniência.
A anestesia geral pode ser aplicada na veia ou por inalação, ela permite que o paciente fique totalmente inconsciente durante a cirurgia.
Chamamos anestesia regional várias técnicas diferentes de aplicação de um anestésico local com o objetivo de abolir a dor em parte do corpo.
Como por exemplo, a anestesia de cesariana que pode ser a peridural ou raquidiana.
Já para cirurgias de membro superior optamos pelo bloqueio de plexo braquial, para cirurgias oftalmológicas usa-se a peribulbar e etc.

5. Quanto tempo dura a anestesia?
Nas cirurgias com anestesia geral, o avanço tecnológico e farmacêutico, permite hoje ao médico anestesista proporcionar ao paciente uma anestesia que dure o mesmo tempo da cirurgia, sendo então possível que o paciente acorde no final da operação.
Nas técnicas regionais, na maior parte das vezes é desejável um efeito residual, e assim a parte do corpo submetida à cirurgia permanece anestesiado por um período variável do pós-operatório, proporcionando ao paciente ausência de dor por um período mais prolongado.

6. Quem escolhe o anestesiologista?
Você tem o direito de escolher o seu anestesiologista. Normalmente, porém, os hospitais possuem serviços de anestesia com os quais o seu cirurgião já está acostumado a trabalhar. Afinal, operação é trabalho de equipe.

7. Como conhecer o seu médico anestesista?
Seu médico já deve ter conversado sobre anestesia com você. Porém, somente na consulta com o médico anestesiologista é que todos os esclarecimentos serão feitos. Não aceite qualquer informação de pessoas não especializadas. Existem muitas fantasias e desinformações sobre a anestesia.
A consulta pré-anestésica é um direito do paciente e um dever do médico anestesista. Exija sua consulta!
 
Neste momento o médico deverá saber se você é asmático, diabético, se tem pressão alta, se fuma, se toma bebidas alcoólicas, se possui alguma doença grave, se toma remédios e quais ou se possui problemas alérgicos.
Tenha no anestesiologia um amigo, e saiba que quanto mais e melhores informações você prestar a ele, melhores serão as condições para que ele possa te ajudar e para que a anestesia transcorra sem problemas e seja um sucesso.
Hoje sabemos que até mesmo certas ervas e medicamentos homeopáticos interferem e reagem com algumas drogas, daí por que tudo deve ser relatado ao seu anestesiologista inclusive o uso de remédios homeopáticos e caseiros. A consulta poderá ser realizada no consultório do anestesiologista ou no próprio hospital, antes da cirurgia.

8. Na consulta pré anestésica é feito algum “teste” para anestesia?
Não! Não existe “teste” de anestesia, a exemplo dos testes utilizados para identificar alergias. A avaliação pré-anestésica é de fato um exame médico dirigido especificamente para as necessidades do anestesiologista. Nesta consulta o anestesista o examinará e prestará informações e orientações sobre a anestesia.

9. Por que é necessário o jejum?
Os alimentos que engolimos, sejam na forma líquida ou sólida, não entram na traquéia porque dispomos de mecanismos de defesa que fecham sua entrada, fazendo com que estes dirijam-se para o estômago. Durante a anestesia, estes mecanismos de defesa são bloqueados e, na eventualidade de ocorrer vômito, o alimento poderá entrar nas vias respiratórias e provocar complicações pulmonares muito graves.
Portanto não coma nem beba qualquer coisa, siga as orientações de seu médico anestesista.

10. Se a cirurgia for urgência e você acabou de se alimentar?
Nestes casos existem métodos que podem reduzir bastante o risco de aspiração de alimentos para o pulmão. Todavia quando não há urgência não vale a pena correr qualquer risco adicional. O cirurgião é ciente deste risco e apenas indicará a cirurgia nestas condições quando julgar ser ela absolutamente necessária.

11. O que acontece antes da operação?
Antes da cirurgia acontecem os preparativos da enfermagem, a pedido dos médicos, podem incluir raspagem dos pelos no lugar da operação, algum remédio e muita atenção. Na noite anterior e cerca de uma hora antes da operação, dependendo do dia e horário de sua internação, é provável que você receba algum comprimido ou uma injeção de sedativo, para tornar mais confortável o transporte e a chegada à sala de operações.

12. Como você pode colaborar para uma anestesia segura?
Não coma nem beba qualquer coisa, é para ficar em jejum mesmo! Conte ao anestesiologista, os nomes de todos os remédios que você toma ou tomou regularmente. Em especial enumere aqueles a que você tem ALERGIA. Serão removidas de sua boca quaisquer peças dentárias móveis como dentaduras, pivôs, pontes, especialmente as de menor tamanho. Não use cosméticos ou produtos de beleza no dia da operação: deixe-os em casa. Não leve ao hospital, e muito menos para a sala de operações, jóias pessoais como anéis, pulseiras, relógios de pulso, brincos, como também retire alfinetes, grampos de cabelo, perucas, cílios postiços, lentes de contato, esmalte de unha e outros objetos. Não mastigue goma de mascar antes da cirurgia, porque isto provoca aumento de ar e de sucos no estômago, o que pode causar vômitos depois da operação. O cigarro, é bom largar pelo menos 15 dias antes da operação. Mas se é inveterado, reduza bastante: no máximo 1 a cada 4 ou 5 horas. Siga, de forma obediente, as orientações dos seus médicos.

13. Costumamos ouvir que a anestesia para crianças é só um “cheirinho”. Esta é uma anestesia mais simples e com menos riscos?
O ‘Cheirinho”nada mais é que o anestésico em forma de gás.fornecido junto com a respiração. Estas drogas são as mesmas empregadas na maioria das anestesias dos adultos. A principal diferença é que nestes, a inalação do gás anestésico é precedida pela injeção de um medicamento com a finalidade de fazê-los dormir. Como a criança, em regra, detesta injeções de qualquer espécie e muitas vezes já está familiarizada com inalações, a via inalatória é bem aceita. Esta é portanto uma anestesia geral como outra qualquer, requerendo os mesmos cuidados.

14. O que é a sala de recuperação?
Terminada a cirurgia ainda não terminou a anestesia, e o trabalho do médico anestesiologista se estende até o momento em que tenham findos todos os efeitos relacionados com a anestesia administrada.
Por isso, terminada a anestesia o paciente deve ser encaminhado à sala de Recuperação Pós Anestésica (RPA), onde o paciente será observado de maneira contínua por pessoal qualificado para evitar complicações e surpresas.
A sala de Recuperação não é sinônimo de complicação, e é mesmo um estágio que deve ser observado obrigatoriamente.
 
O paciente deve permanecer na Recuperação Pós-anestésica pelo tempo necessário para que se observe as reações do organismo à anestesia, e até que o paciente atinja um quadro de total estabilidade de sua circulação, respiração, nível de consciência e regressão da anestesia.
Pacientes considerados graves ou submetidos a cirurgia complexas, podem ser encaminhados para as Unidades ou Centros de Tratamento Intensivo (UTI e CTI), onde uma equipe médica fará acompanhamento, e onde o paciente fica constantemente monitorado.

15. O que você vai sentir depois da anestesia?
Depende muito da operação, do tipo de anestesia e de suas condições físicas. Graças às modernas técnicas de anestesia, apenas um número muito pequeno de pacientes chega a sentir-se mal. O que deve ser ressaltado é que você, provavelmente, não sentirá nada, nem se lembrará de nada. O anestesiologista zelará para que lhe seja assegurado o máximo conforto.

16. Qual o risco de uma anestesia?
Novas drogas e equipamentos modernos, muitos anos de estudos e pesquisas reduziram imensamente os acidentes ou complicações de uma anestesia. Com medicamentos, instrumental, novos monitores e técnicas modernas, o anestesiologista reduz ao máximo os riscos de acidentes anestésicos, mas é claro que eles nunca chegam a zero, uma vez que há fatores de risco algumas vezes imponderáveis ligados não só à anestesia, como à própria operação, às condições hospitalares, à condição clínica do paciente, etc.
Pacientes com doenças não tratadas ou descontroladas, podem apresentar um maior risco na anestesia, mesmo assim o médico anestesista tem como prevenir complicações, desde que tenha conversado e examinado o paciente.
O anestesiologista, além do conhecimento e da especialização médica, emprega toda sua perícia e experiência clínica para o sucesso completo da operação a que você está se submetendo. Para a maior segurança dos pacientes, os hospitais modernos contam com equipes e equipamentos próprios para emergências e cuidados críticos, o que reduz ainda mais os riscos de acidentes graves.

17. O que é o consentimento esclarecido (informado)?
É de direito do paciente o conhecimento sobre seu diagnóstico, prognóstico, riscos e objetivos do tratamento.
Portanto a forma mais adequada do paciente de ter conhecimento formal de que ele ou a família está ciente do problema de saúde ou de tratamento e de suas conseqüências é o termo de consentimento esclarecido.

18. Quanto custa uma anestesia?
Depende bastante da operação, do tempo de trabalho e da complexidade. Mas, se você é paciente particular, tudo será discutido, com antecedência, sem surpresas. Se você possui algum convênio, serão seguidas as regras e exceções da sua instituição.
Informe-se se seu convênio lhe dá direito a consulta pré-anestésica e a anestesia para a cirurgia a que ira submeter-se. Apenas seu médico anestesista e seu convênio podem lhe dar estas informações.
Às vezes poderão aparecer algumas diferenças que também serão discutidas com antecedência.

19. Acabe com o medo de anestesia!
Some esforços com seu médico para que sua anestesia transcorra sem nenhum problema. Tire suas dúvidas, converse com ele, discuta seus medos, não esconda nada dele, crie confiança. A confiança no médico e na anestesia só vai fazer bem à sua cirurgia.
“ANESTESIOLOGISTA”:
O SEU ANJO DA GUARDA ENQUANTO VOCÊ DORME”
 

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Visita ao chefe Dr. Valny

Como vocês sabem o Dr. Valny, num acidente bobo dentro de casa (tropeçou na ponta do tapete e caiu), fez uma fratura de femur além de uma lesão no couro cabeludo (quatro pontos). Caiu da própria altura sem perder a consciência.

Ontem (sábado) estive fazendo uma visita para ele no Hospital de Clínicas. Fomos a Iolanda e eu e encontramos a Dna Leda (que está ótima).
 
Segundo ele na internação no Hospital Moinho de Vento fizeram Rx e não constataram a fratura. Passou 72 horas com dor e quase sem dormir.

Transferido para o Hospital de Clínica foi diagnosticada uma fratura transversa de fêmur. O tratamento indicado foi conservador, porém depois houver uma dúvida se poderia ser cirúrgico. Após os exames pré-operatórios que constataram um aneurisma de aorta (toracoabdominal) extenso o Dr. Valny optou por não ser operado.

Ele está bem, com um pouco de dor na perna, mas já senta na cadeira e dá alguns passos no quarto.
Segunda-feira (amanhã) deverá ter alta para casa. O Dr. Valny está lúcido tem lapsos importantes de memória. Mantém o hábito da leitura porém esquece fácil os nomes das pessoas (inclusive as com quem conviveu aqui em Passo Fundo).

Dos colegas do SAR ele esqueceu o nome de alguns, mas lembrava das características de cada um. Afinal o Dr. Valny nasceu em novembro 1922 e já está com  87 anos. Formou-se em 1947 e em 1952 (segundo ele) fundou o SAR em Passo Fundo. Deu o nome de SAR pois foi num serviço com esse nome, em Porto Alegre, que aprendeu a fazer anestesia (depois de trabalhar por cinco anos em Ibiraiaras.

É claro que com a memória pregressa mais preservada o assunto foi o início do SAR, a chegado do Valny, Rubens e Arno e no ano seguinte a minha chegada.

O interessante é que quando os colegas fizeram o convite o Arno e o Dr. Valny fizeram questão de que eu passasse uns quinze dias por aqui para conhecer Passo Fundo e o serviço. Nesse tempo dormi na casa do Dr.  Valny e trabalhava com o pessoal. Como ainda tinha compromisso com o Clar o Rubens foi me substituir na minhas atividades.

Nessa conversa relembramos a nova fase do SAR que se iniciou em 1978. Foram muitas sementes plantadas, trabalho árduo que frutificou e virou uma marca na anestesiologia regional.

Contei para ele que o grupo já contava com 16 anestesiologistas, com três mulheres na equipe e com outra visão de trabalho.

Perguntou sobre o IOT, só não lembrava da inauguração do novo hospital. Perguntou sobre o Saggin e o "Luiz André" (vejam como o marketing é forte). Ele soube dos problemas de saúde pelos quais o Saggin está passando. Me impressionei pois esse é um acontecimento recente e ele lembrou.

Mas é isso ai, ele está se recuperando, deverá continuar com tratamento conservador em casa e deverá se recuperar bem.

Abraços, a todos,

LOR